Olá caro leitor ou leitora, tudo fixe? Espero que sim :)
O presente post visa abordar um tema de elevada relevância quer para países onde haja praia, sol, calor e mar durante o ano inteiro quer para países onde hajam os mesmos factores, somente durante os 3 / 4 meses de época balnear. É o que acontece aqui em Portugal, com a época balnear a encontrar-se limitada, normalmente, pelo início de Junho até 15 de Setembro. Excepção feita ao Algarve em que a época balnear pode ir de 1 de Maio a 30 de Setembro, ou mesmo até Outubro, dependendo da afluência de turistas a tais locais mais favorecidos pelo Sol e calor, o que puxa muito turismo havendo, por isso, uma maior necessidade de assegurar a segurança dos banhistas. Este é um factor de extrema importância, não somente pelo facto de haverem vidas humanas em jogo que devem ser preservadas com esforço e prudência mas, também, por uma questão de crescimento económico do país. Os turistas, certamente, sentir-se-ão muito mais motivados a passar férias em praias de um país onde se sentem em segurança do que num sítio onde tal não se verifique. Daí a importância de existirem nadadores-salvadores bem preparados para o exercício das suas funções de vigilância e, em último caso, de resgate aquático.
Quero começar por dizer que sou nadador-salvador há 2 anos e quero também dizer que como nadador-salvador sou um chato do caraças! O meu maior objectivo enquanto nadador-salvador é o de não ter que ir à água uma única vez buscar seja quem for durante toda a época balnear.
Para mim, e desculpa-me se és nadador-salvador e estás a ler isto, o bom nadador-salvador passa muito mais por ser um bom preventor do que um bom socorrista. O ideal para mim seria que em cada 50 metros de praia houvessem dois tipos de nadador-salvador a trabalhar em equipa: um excelente preventor e um outro excelente socorrista. Isto porque o preventor não consegue fazer tudo, como é óbvio. Por mais que seja um indivíduo altamente atento, por mais tacto que tenha a lidar com as pessoas e a persuadi-las de não se aventurarem demasiado, os acidentes podem sempre ocorrer e se ocorrerem, que remédio existe senão ir à água remediá-los. O trabalho de nadador-salvador é um trabalho de prevenir e de remediar mas, essencialmente, de prevenir. Não digo que um preventor altamente rígido, como eu assumo que sou, não tenha nunca de ir à água e, efectivamente, já tive de o fazer, mas que, a probabilidade de isso ocorrer será muito menor e, caso suceda, a atenção permite, normalmente, detectar esses problemas no início, quando ainda são relativamente fáceis de resolver.
A minha filosofia e que sempre defenderei como nadador-salvador é a da marcação cerrada ao banhista, estar o máximo de tempo possível em pé, próximo da linha de água, acompanhando o que se passa, prevendo os movimentos do banhista, usar do apito sempre que tal se mostre necessário, uma vez que o banhista se sentirá, pelo menos, minimamente envergonhado pela admoestação pública, estar sempre pronto para chamar a polícia marítima nos casos de pessoas desordeiras e desobedientes, atacar sempre as situações logo de início e, se necessário for, enfrentar o banhista. À posteriori, será importante conversar com alguém da capitania para que tome conhecimento no caso de a polícia marítima não tomar qualquer providência adequada (o que é comum). Há sempre profissionais dispostos a sacudir a água do capote, como bem sabemos e, quer queiramos quer não, como nadadores-salvadores temos que nos proteger da melhor forma possível uma vez que alguém afogar-se ou ficar inválido sob a nossa responsabilidade será sempre um caso sério. É muito difícil provar que não temos a culpa da situação, embora por vezes, efectuar um salvamento seja algo de extremamente perigoso e que põe claramente a nossa vida em risco. Nesse caso, poderão sempre haver testemunhas que comprovam as condições altamente perigosas do mar mas, mesmo assim, não seremos poupados a presenças em tribunais, entre outras chatices bem chatas. Por isso, nada melhor do que pestana aberta durante as 10 horas do expediente, prevenção total através de marcação cerrada na linha de água, telemóvel sempre pronto numa bolsa facilmente atirável para a areia (para em caso de termos que ir à água, não ficarmos com o telemóvel estragado) para chamar a polícia marítima, material de salvamento sempre à mão (cinto, bóia torpedo e pés de pato, com a prancha de salvamento por perto) e, também, criar um círculo social de ajuda incondicional, ou seja, fazer dos frequentadores habituais da praia uns amigos dispostos a ajudar-nos e a confortar-nos de quando em vez, o que é bem necessário, diga-se em abono da verdade.
Por isso, boa sorte, bom verão para ti que és um nadador-salvador, bons mergulhos, bons biquínis, boas saídas à noite, bons romances, sem criação de problemas desnecessários derivados da falta de atenção e profissionalismo.
Um grande abraço!
HR